Coração de Aço

Coração de Aço

Coração de Aço é o primeiro livro da trilogia Os Executores, do autor estadunidense Brandon Sanderson. Lançado nos EUA em 2013, chegou ao Brasil em 2016 pela editora Aleph. Trata-se de um romance de fantasia para jovens adultos (YA).

Em um mundo similar a terra contemporânea, após um evento conhecido como A Calamidade, uma pequena parte da humanidade ganhou super-poderes. Ao contrario dos mundos de histórias em quadrinhos com as quais estamos acostumados, aqui nenhum desses indivíduos super-poderosos,  chamados de épicos, decidiu se tornar um super-herói. Ao invés disso eles dominaram e escravizaram a humanidade, e como alguns deles são praticamente invencíveis, os governos do mundo não tiveram escolha a não ser aceitar que os épicos simplesmente estavam a cima da lei e podiam fazer o que bem entendessem.

É nesse mundo que vive David Charleston, um jovem que assistiu, aos oito anos, seu pai ser assassinado pelo épico mais poderoso do planeta, Coração de Aço (um análogo do Superman). A partir daí, David dedicou a vida a estudar os épicos e descobrir formas de matá-los, para poder executar sua vingança. Mas para isso ele vai precisar encontrar e se juntar aos Executores, um grupo para-militar que caça e mata épicos ao redor do mundo.

Uma coisa você pode dizer a respeito de autores de YA, eles sabem como prender um leitor em uma narrativa. Eu sou um grande consumidor do gênero super-heroico e cheguei a Coração de Aço atraído pela ideia de um mundo onde humanos normais precisam lutar contra semi-deuses praticamente imortais. E posso dizer que Coração de Aço entrega o que promete. O livro é recheado de cenas de ação, com direito a tiroteios e perseguições, até batalhas épicas entre… bem, entre épicos. O autor é bom em finalizar cada capítulo deixando o leitor ansioso pelo próximo.

Só não entendo porquê do senhor Sanderson não ter procurado um bom desenhista para levar essa saga aos quadrinhos, que é a mídia que praticamente foi criada para esse gênero. Quem sabe um dia.

Quero deixar uma coisa clara a partir daqui, se você que está lendo isso se sentiu interessado pelo que eu contei nos parágrafos acima, esse livro é para você. Vá lá, compre e leia que você vai gostar, como eu gostei, apesar de ele não ser um livro nota dez. O que faz esse livro perder pontos é sobre o que eu vou falar daqui para frente. Acredito que alguns dos pontos que eu vou citar podem ser concertados nas sequencias, mas eu vou me concentrar neste volume e não na série.

A meu ver, o primeiro defeito desse livro tem um nome: Megan. Ela é a mais jovem dos executores e interesse romântico de David, descrita como uma garota loira de olhos azuis e extremamente bonita. Meu problema com Megan é que ela é uma personagem chata, sem proposito e sem personalidade. Em um mundo em que vivemos hoje, em que tantas personagens femininas fortes ganharam a cultura pop, eu acho que Megan é um retrocesso. Os fãs do livro podem argumentar que ela não é tão desenvolvida por não ser a protagonista. Bem, Hermione também não era. Para ser justo com a personagem, o motivo de ela ser como é será explicado no final do livro, mas até chegar lá ela já tem enchido a paciência do leitor e do herói por dois terços da história.

Brandon Sanderson tem um problema com relação a sua narrativa, principalmente nas horas em que tenta fazer comédia. Cody, o personagem que deveria ser o alivio cômico, recheando todos os diálogos com piadinhas, simplesmente não funciona. E outra coisa são as metáforas horríveis. O livro é narrado em primeira pessoa, e David explica no começo que ele é péssimo em criar metáforas, daí saem coisas como: Vocês dois parecem um par de guaxinins em um dia chuvoso. Eu me sinto como um tijolo feito de mingau. Eu me deixava distrair, como um coelho resolvendo problemas matemáticos em vez de procurar raposas. Essa piada pode até funcionar em diálogos, mas não no corpo da narrativa, atrapalhando o ritmo da leitura.

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Autor

Elaine Assunção

Elaine Assunção

Você tem paixão por matar, mas precisa encontrar a paixão por viver.