007 Contra o Satânico Dr. No (1962)

007 Contra o Satânico Dr. No (1962)

Começando a maratona de 007 vou falar com vocês do clássico primeiro filme do agente britânico mais querido no mundo. É difícil avaliar a escolha do amado Sean Connery para o papel já que não tenho idade para ter acompanhado o processo e, sinceramente, fica quase impossível ver outro no lugar. Temos alguns nomes que foram cotados, como Adam West (que talvez tivesse mais para um Roger More), Michael Gambon (o Dumbledore),  Richard Johnson, e o próprio Roger Moore (meu preferido), mas o escolhido foi o novato Sean Connery que até hoje é considerado o Bond perfeito.

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O primeiro filme foi baseado no sexto livro, de mesmo nome, escrito por Ian Fleming e foi responsável pelo sucesso imediato do personagem, seja pelo carisma de Connery ou pelas características inovadoras do personagem, além de apresentar conceitos e características do 007 que são replicadas até hoje. Neste filme que ficou imortalizada a bebida favorita de James Bond, vodka-martini, batido mas não misturado, a famosa frase de apresentação – “Meu nome é Bond… James Bond“, as traquitanas engenhosas, as lindas bondgirls, a famosa Walther PPK (chamda de arma de mulher), a cena de abertura do tiro pelo cano e o tema mundialmente conhecido (que eu amo). Ainda não temos aquela abertura impactante com uma cena de ação incrível e seguida pela música tema do filme, mas a primeira vez que toca a música do 007 é emocionante.

É bom ficar claro que se você não curte o ritmo dos filmes clássicos, ou antigos, este vai te incomodar e muito. As cenas de ação e tensão não chegam a ser tão impactantes, hoje em dia, mas a trama em si segue o modelo que eternizou o estilo James Bond de filmes de espião.

Esse primeiro filme da franquia mais longa e lucrativa do cinema, já começa na Jamaica e recheada dos preconceitos, ou esteriótipos, europeus com os países que eles não conhecem (risos), mas é compreensível pela tempo em que se passa. Um agente do MI6 é assassinado e Bond é designado pelo M, que é um ator masculino interpretado pelo grande Bernard Lee, e tem sua primeira missão em conjunto com a CIA, parceria que viria se repetir muitas vezes nos filmes. Logo no começo já temos uma cena de luta de Connery com o capanga que se disfarçou de motorista para recebê-lo no aeroporto. Uma cena bem fraca porém muito bem coreografada que culmina no suicídio, bem infantil, do motorista.

Quando Bond chega ao hotel ele toma algumas providência para verificar se esta sendo observado ou se alguém vai invadir seu quarto. Chega a ser cômico a forma como ele faz isso, mas para falar a verdade é uma das únicas vezes que vi o agente e preocupar com isso. As encarnações seguintes dele parecem não dar a mínima para a própria segurança. Aliás, nunca entendi a necessidade dele em ficar dizenod o seu verdadeiro nome para todos. Isso não seria um tanto quanto imprudente?

James descobre que um pescador,  Quarrel, ajudava o agente morto e também o agente da CIA, Felix Leiter vivido por Jack Lord de Hawwaii 5.0, que o ajudaria. O motivo pelo qual a CIA se envolve fica um pouco solto e a conexão com a investigação do MI6 é bem inocente, mas no final tudo leva até o misterioso, e satânico (vai entender por que traduziram assim) Dr. No, que tinha uma mina de Bauxita em uma ilha e queria fazer um ataque nuclear aos Estados Unidos.

Dr. No se torna então o primeiro grande, e caricato, vilão de Bond e um modelo para todos os megalomaníacos e com objetivos absurdos que viriam a seguir. Temos também a primeira citação da grande ESPECTRE, acrónimo para “SPecial Executive for Counter-intelligence, Terrorism, Revenge and Extortion” que traduzindo para português vira “Agência Especial de Contra-Informação, Terrorismo, Vingança e Extorsão”.

É impressionante como o filme moldou toda a franquia e a fórmula se repetiu por anos. As clássicas belas mulheres que cercam James, como a famosa MoneyPenny, Lois Maxwell, Eunice Gayson, que interpretou Sylvia Trench (a primeira Bond Girl) em 2 filmes, Zena Marshall, Marguerite Lewars e Ursula Andress (uma atriz medíocre que por algum motivo ganhou o Globo de Ouro na época), são uma clara objetificação feminina. Claro que é importante perceber o retraro social da época e o papel da mulher na sociedade.

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A cena do ataque da tarântula é digna dos trapalhões, quando 007 transpira com a presença dela e bate nela, cheio de raiva, medo e pantomima, atrás da cama, assim como o grande “dragão” que os ataca na praia. É incrível como era uma época mais inocente no cinema e pouco se importava com os conceitos serem verídicos ou aceitáveis, tanto que a presença da Honey ali é irrelevante e seu rápido apego ao Bond é inacreditável, mesmo sabendo que isso eria uma marca da série. O complexo nuclear do Dr. No é uma piada, mas muito impactante, tão impactante quanto a estética do vilão que teoricamente era filho de um alemão e de uma japonesa, sendo assim era branco, alto e de olhos puxados com duas mão de aço que tinham pouca mobilidade. Mobilidade essa que causou sua morte.

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O filme é divertido, empolgante, porém didático em excesso. Não é o melhor filme da série, mas nem de perto seria o pior, tem problemas de edição e grandes buracos no roteiro, mas recomendo ver e conferir a construção do mito Bond.

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Burita

Burita

queria viver no mundo onde uma concha vale 50 dólares!