Aftermath: Marcas da Guerra

Aftermath: Marcas da Guerra

A batalha não acabou. A batalha está apenas começando. Esta é premissa básica do livro I da trilogia Aftermath (Marcas da Guerra), cujo lançamento dos volumes II e III já estão previstos para 2016 e 2017, respectivamente.

Escrito por Chuck Wendig, um ilustre desconhecido até então – pelo menos pra mim –, Marcas da Guerra é a novelização que narra os eventos ocorridos entre os Episódios VI: O retorno de Jedi, e VII: O despertar da Força, dos filmes de Star Wars.

Marcas da Guerra faz jus ao título. O autor consegue mostrar e explorar muito bem a situação em que se encontra a Galáxia no “pós-guerra”. Cabe aqui as apas porque na verdade a guerra continua, mas só que com outros propósitos. De um lado temos o monstruoso Império, que teve sua cabeça cortada mas que ainda consegue mexer seus tentáculos e, de algum modo, procura se reorganizar. De outro lado temos a ainda Aliança Rebelde – futura Resistência – que luta para impedir que o remanescente da elite do comando imperial consiga estabelecer o Império novamente. Pelo que vimos em O Despertar da Força, a Resistência falhou miseravelmente (rsrs). E, no meio disso, está o processo de reestruturação do Senado Galático que dará a luz à Nova República.

É alicerçado nesse cenário que Chuck nos apresenta os personagens protagonistas e começa a desenrolar o novelo e tricotar a estória. Os protagonistas nos são apresentados de uma forma bem peculiar, como peças soltas de um quebra-cabeças – o que aparentemente é um pouco confuso no início. Mas logo que você capta o modo de narrativa do autor, a leitura fica mais fluída e as peças vão se encaixando aos poucos. O volume é dividido em 4 partes e tem 38 capítulos ao todo. Além disso é recheado de interlúdios que levam o leitor a dar saltos hiperespaciais para diferentes lugares da Galáxia. E é aí que na maioria das vezes o autor nos mostra diferentes as faces da realidade de povos, planetas e famílias marcados pela guerra. Algumas questões políticas bem interessantes são discutidas, como este trecho:

“– Não digo equipado no sentido literal, Hostis. Quero dizer que isso não está no nosso coração. A guerra não é uma condição natural. Deve ser um caos temporário, entre períodos de paz. Alguns querem que a guerra seja o caminho das coisas, um fato padrão da existência. Mas não vou permitir que seja assim.”

(Resposta da Chanceler Mon Mothma a um de seus assistentes que argumenta que a Nova República está equipada com maior poder bélico frente a um Império que está minguando.)

Porém, esse não é o mote da estória. É apenas uma pequenina dimensão do quão complexo é ter que tomar partido e decisões na situação em que a Galáxia se encontra. Como não poderia deixar de ser, é nesse contexto também que os principais atores dessa trama são inseridos. Temos o capitão Wedge Antilles, o almirante Ackbar (it’s a trap!! rsrs), a almirante Rae Sloene, a caçadora de recompensas Jas Emari, o ex-agente imperial Sinjir, o garoto Temmin e sua mãe, a piloto rebelde Norra Wexley. Vemos novos personagens e também velhos conhecidos dos amantes da saga de Star Wars, os quais sempre estiveram envolvidos na luta e que agora devem escolher o lado ao qual jurar lealdade.

Como não sou nenhum crítico – sou apenas um reles comedor de arroz e feijão, como diz o meu amigo Márcio – e não tenho envergadura para fazer uma crítica literária da obra, vou apenas dar minha opinião enquanto fã de Star Wars.

Confesso que nunca me interessei muito pelo universo expandido de Star Wars, embora eu já tenha ouvido falar de trabalhos muito bons, como os livros escritos por James Luceno, por exemplo.

Mas posso dizer que Marcas da Guerra genuinamente despertou em mim a vontade consumir mais desse material que nos conta estórias além das que vemos nas telas. Atualmente estou acompanhando a série Rebels – muito boa por sinal – que explora o período em que o Império estava no comando.

De modo geral Marcas da Guerra é um bom livro. O autor consegue montar um bom cenário nos contar uma boa estória ao melhor estilo Star Wars: dramas familiares, personagens de moralidade duvidosa, batalhas espaciais, reviravoltas e aventura, porém, sem cair no mesmismo. Creio que é uma estória que ficaria muito bem no cinema. Aguardo ansioso o lançamento do próximo volume, que inclusive já saiu lá na gringa em julho e até o momento nada de chegar ao Brasil. Seria um plano maligno dos malditos imperialistas?! Aguardemos.

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Autor

Eduardo Oliveira

Eduardo Oliveira

de vez quando pega sua X-Wing e vai dar uns rolê pela Orla Exterior.