Batman vs Superman: A Origem da Justiça (2016)

Batman vs Superman: A Origem da Justiça (2016)

Tenho certeza de que esta foi a resenha que escrevi para o Salada mais difícil de começar, mas vamos lá que este marco no cinema para as adaptações de quadrinhos merece. Prometo que vou tentar, ao máximo, evitar os spoilers.

Só para início de conversa, se você achava que os trailers tinham entregue tudo, vai perceber que de certa forma é verdade, mas ficará satisfeito em perceber que as motivações e formas com que o roteiro se fecha redondinho, com falhas (risos), te surpreenderá. Eu vejo um filme com sérios problemas de edição/montagem que afetam o ritmo de forma bem forte, principalmente porque ele tem mais de 2 horas de duração. Não estou dizendo que o filme é cansativo, pelo contrário, mas as vezes as coisas ficam muito cortadas pela necessidade de mostrar diversas histórias paralelas (e também pela tara do diretor em cenas épicas somente pela “epicidade”).

O começo já joga uns flashbacks/recordatórios, que todos já conhecemos, porém com um conteúdo extremamente conveniente e eficiente, além de já nos apresentar o recurso dos sonhos (que vai ser massivamente usado) com uma pequena preguiça na tela clichê do “18 meses depois”, mas que passa despercebido. Parece que vai se tratar de um filme do Batman e meio que é isso durante o primeiro ato, com inserções bem pontuais e rasas do Superman, mas com o passar do tempo todos personagens vão sendo inseridos e envolvidos na trama de forma bem interessante.

Não tenho palavras para descrever a batcaverna, o batmóvel e principalmente esse Alfred incrível que o fantástico Jeremy Irons deu vida. Tem um “quê” de Batman do Futuro ali. Depois de anos de espera, finalmente, posso dizer que vi o meu Batman no cinema. Um herói perturbado, exímio lutador (e não um borrão) e estrategista, além de um detetive de fato. #ChupaNolan

O que sempre me preocupou nos trailers foi o Lex Luthor afetado e com claras indicações de galhofa, mas a surpresa ao ver o filme é de que o cara é um psicopata, sociopata perturbado, tanto quanto o morcego, com leves pitadas do cientista louco e genial das histórias clássicas, com o background do luthor empresário e maluco que vai vestir a armadura (espero ansioso por isso). Ele é o Luthor que eu curto? Não, mas vejo que foi inserido com eficiência diante da necessidade da história.

A Diana me decepcionou em alguns pontos. Talvez não seja culpa da atriz e sim do diretor, mas ela parece muito simplista e sem vontade de atuar, mesmo curtindo o ar de desinteresse que ela demonstra com a humanidade me agradando muito. As cenas de luta dela são fantásticas e eu realmente curti a caracterização do uniforme, mas achei o personagem muito jogado. Já a forma como eles inseriram a liga da justiça eu achei fenomenal e um verdadeiro tapa na cara dos críticos que afirmavam que a DC precisava fazer igual a concorrência apresentando todos em filmes isolados primeiro. A Warner/DC mostrou que acredita que seus heróis são tão famosos como público geral que não precisa disso (ou ela apostou nisso, risos). Desespero ou coragem?! talvez um pouco dos dois.

Eu curti o Apocalipse, mesmo ele tendo os poderes da versão Novos 52. Sua origem Kryptoniana e as características evolutivas ficaram bem retratadas. O descobrimento da Kryptonita, que não recebe o nome, é muito convincente e bem trabalhada. O boneco do Zod é ridículo e por um momento achei que ali teríamos o bizarro (risos). Sinto um pouco de falta do Jimmy.

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É fácil constatar que o filme tem 3 atos, O questionamento da necessidade de existir um Superman; O confronto entre Batman e o Superman; E a luta com o Apocalipse. O primeiro poderia ser um filme, sequência de man of steel sem problemas e acho que funciona razoavelmente bem, no segundo ato a luta é levada para a “pedreira do jaspion” e muitos estão dizendo que é mais destruição sem sentido, porém é um embate épico e de grandes poderes, funciona bem também mesmo sendo bem curto em se tratando do tema do filme, já o terceiro ato é claramente a preguiça do diretor, mesmo sendo um belíssimo fan service.

(Leves Spoilers abaixo)

Se eu for ficar falando de todas referências feitas no filme acho que precisaria de umas 4 ou 5 resenhas (risos), mas preciso destacar algumas. O ano de criação do Morcego no endereço de sua primeira aparição, o ano de criação do Super quando o, excelente Perry White do Fishburne, critica a inocência ou escoteirismo do Clark, a capa da action comics #1, citações aos irmãos kennedy, alfred fala de deuses que soltam raios (fiquei com uma ponta de esperança de ser sobre o Shazam, que tem filme vindo), o “ding ding ding” do lex que remete a caixa materna, os parademônios no sonho do Batman (além de diversas referências a Apokolips e Darkseid) e o Flash do Injustice jogando a semente do futuro (sorria, porque é possível), morte do Robin e as cenas claramente retiradas das páginas dos quadrinhos Dark Knight Returns e Morte do Superman (que conseguiu ser mais boba que a dos quadrinhos, risos), entre tantos outros. Tudo para você que é fã fiel dos heróis e da editora. E isso sem dúvidas tem a mão do Snyder que já fez esse tipo de transposição em 300 e Watchmen.

O final com insinuações de que Luthor teve algum contato com Darkseid é meio forçado, apesar de todos sonhos do Batman. Aliás vejo uma possibilidade do arco inicial da liga nos novos 52 ser a base dos filmes futuros com uma pitada do Superman Animated, quando Darkseid usa o super para invadir a terra. #Aguardemos e Ding Ding Ding … Momoa e Ezra ficaram perfeitos, só achei o Ciborgue meio galhofa e com CGI inferior, porém o pequeno elemento que o cria é tão importante e remete a Darkseid que podemos ignorar a qualidade visual.

(fim dos leves spoilers)

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Claro que a limitação do diretor é visível, mesmo com suas belíssimas fotografias e cenas de ação, coisas em que ele é realmente um mestre, mas sem dúvida a direção dos atores é muito fraca e seu corte final deixa a desejar. A verdade é que já deu pro Snyder e os próximos filmes mereciam um diretor mais experiente e de qualidade. Sua deficiência, clara, em criar uma narrativa coesa está presente em todos os filmes que dirige, infelizmente. #ForaSnyder ou fique apenas como diretor de fotografia rs

Acho Man of Steel mais filme, olhando pros quesitos técnicos, porém a proposta do Batman v Superman de ser fiel aos quadrinhos, mesmo com o ar de seriedade, torna um filme muito mais consistente para o universo DC nos cinemas.

Muitos estão na expectativa de que a versão estendida com mais 30 minutos vá resolver os problemas de continuidade e ritmo, mas eu duvido. Será meia hora a mais par ao Snyder encher de sangue e pancadaria rs (não que eu esteja reclamando).

Você não precisa amar o filme, e tem todo direito de odiar, seja pela expectativa, apego sentimental ou comparações com a concorrência, mas eu curti. Estou feliz pelo que vi e recebi. É a trindade cara! tem noção disso?! Sabe quanto tempo a humanidade esperou por isso?! (risos)

Quer falar mal? Quer falar bem? Quer entender? Os comentários estão aí … Perdão pelo grande texto (que com certeza ainda está incompleto, risos) mas manda ver! 😉

#VemNiMim #SuicideSquad e chega logo 2017 com esse filme da Liga 🙂

bAlBMe2

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Burita

Burita

nunca se sentiu tão respeitado por ser fã de quadrinhos!