Bizarro (2016)

Bizarro (2016)

Bizarro, escrito por Heath Corson e desenhada pelo brasileiro Gustavo Duarte, veio pela Panini num encadernado(formato americano, 144 página). A revista originalmente foi lançada em 6 edições nos Estados Unidos. Acho difícil quem acompanha quadrinhos não conhecer o trabalho do Gustavo, até porque ele foi chargista do jornal Lance!, mas se você tá por fora fica a dica de buscar o encadernado Monsters (que contém 3 histórias: Monstros!, Có! e Birds) e o recente trabalho dele para a MSP, Pavor Espaciar com Chico Bento.

O cara simplesmente arrebenta no traço cartunizado com uma narrativa incrível. Ele praticamente não precisa de balões e diálogos para fazer você entender tudo que está acontecendo nos quadros.

Falando do encadernado, o que temos é uma história cujo personagem principal é o Bizarro, clone defeituoso do Superman criado por Lex Luthor, ou pelo menos uma das origens dele :), que sai em uma grande trip, quase como um road movie, com ninguém menos que o sidekick do Kryptoniano, Jimmy Olsen. A questão é que o “vilão” só quer ser um super-herói e salvar o dia. Ele é quase como que uma grande criança com super poderes. O problema é que toda vez que ele tenta salvar alguém ele deixa um rastro de destruição por Metrópolis. Todos cidadãos, e o Super, querem que ele vá embora de uma vez por todas.

É nessa hora que o Jimmy tem uma ideia genial e que além de tudo vai fazê-lo rico. Ele convence o Bizarro a acompanhá-lo numa viagem até o que ele chamou de “Estados Unidos Bizarros”, ou Canadá, risos. Com isso ele além de livrar Metrópolis do encrenqueiro ainda pode lançar um livro contando sua aventura ao lado do clone super poderoso. Seria muito simples né?! Mas quem disse que ia ser fácil?! o gibi entra numa desenfreada sequência de acidentes e atrapalhadas aventuras ao melhor estilo “Férias Frustradas”.

A construção do gibi é invertida e os capítulos não seguem uma ordem lógica. No começo isso confunde um pouco mas com o tempo você entende a pegada e começa a enxergar tudo como o Bizarro. Até a forma dele falar gera estranhamento, principalmente se você não conhecia o personagem, mas a relação dele com o Jimmy vai ajudando a se acostumar e até a passar a entendê-lo. Outra relação muito legal é do Bizarro com seu “animalzinho de estimação”, o Chupa Cabras que realmente é muito afetiva e te envolve. O objetivo do quadrinho é claramente ser desconstruído e caótico, quase como um grande desenho animado e isso é muito bom, pois te apresenta uma obra totalmente diferente do que estava acostumado, ao mesmo tempo que te remete aos quadrinhos antigos que não tinham tanta pretensão em ser sérios ou profundos. Aqui o objetivo é se divertir.

O encadernado conta também com a participação de diversos artistas como Darwin Cooke, Rafael Albuquerque, Fábio Moon, Gabriel Bá, Kelley Jones, Bill Sienkiewicz, etc. E isso é o que torna mais fantástica ainda a obra. Interessante ver como as artes se misturam mas ficam tão orgânicas.

Para completar vale conferir a entrevista do Gustavo no final da revista e seus esboços e artes. E claro, como não pode faltar hoje em dia, as referências a ficção científica, cultura pop, trabalhos do próprio Gustavo e a história da DC.

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Burita

Burita

achar que gibis não ser importante!