Capitão América – Guerra Civil (2016)

Capitão América – Guerra Civil (2016)

Os filmes da Marvel não costumam falhar. Os seus produtores e diretores encontraram uma fórmula que, por mais que o tempo tente desgastar, ainda funciona. O equilíbrio entre a leveza do humor e a seriedade do drama são a chave do sucesso nas obras do estúdio. Um pouco mais engraçado que o seu antecessor (Capitão América 2: O Soldado Invernal), o filme dos irmãos Russo consegue fazer com maestria, de tudo um pouco. Nós temos novos personagens sendo introduzidos de forma eficiente, antigos sendo mais desenvolvidos e o espectador consegue se importar com todos aqueles seres, pois ele já os conhece, já entende as suas motivações e acompanhou as suas transformações. Por exemplo, é impressionante ver a evolução do Capitão América dentro desse universo e é inquestionável a sua grandeza aqui nesse filme.

A história é baseada no famoso arco dos quadrinhos de mesmo nome e aqui temos algumas semelhanças com o original. Após um incidente na África, os governos e a população começam a questionar se os Vingadores deveriam continuar a agir sem nenhuma supervisão, sem serem responsabilizados pelos seus atos, e para isso a ONU cria um tratado assinado por mais de 100 países, colocando o super-grupo sob a agenda da organização mundial, o que acaba dividindo os seus membros. Para alguns como Tony Stark, essa é a melhor maneira deles continuarem sendo os Vingadores dentro do cenário atual. Já para outros, como o Capitão América, isso colocaria limites perigosos ao grupo, já que eles responderiam a “homens com ideais, e ideais podem mudar da noite para o dia”. Para colocar ainda mais tempero nessa salada, temos um arco com Bucky Barnes, o Soldado Invernal, que acaba sendo caçado pelo governo e se tornando mais um catalizador para o combate entre os dois grupos formados.

Para alguns pode soar forçado essa questão do tratado. Afinal de contas, por que um Tony Stark da vida aceitaria assinar uma coisa dessas? Apesar dos Vingadores causarem destruição sim, ela não seria muito maior se eles não tivessem agido? Essas questões poderiam enfraquecer o argumento do Tratado de Sokovia, mas eu acredito que tudo foi muito bem construído para o aceitarmos. Inclusive temos casos reais que geram questionamentos como esse. Casos em que a polícia age para impedir ações criminosas, mas que matam inocentes como um efeito colateral. Eles devem ou não ser responsabilizados por isso? Os Vingadores não tem sido até então. É um argumento forte sim. Assim como é possível entender a posição de cada herói com relação a essa questão. Temos um Tony Stark consumido pela culpa por conta dos acontecimentos em A Era de Ultron, Visão é um robô que justifica sua escolha através das probabilidades, Rhodes é um militar e a Viúva Negra vê o registro como o último recurso para que eles pelo menos ainda tenham algum controle sobre a situação. Do outro lado, temos um Capitão América que defende a liberdade da escolha, o Falcão que é seu parceiro inseparável e a Feiticeira Escarlate que deixa seus motivos mais claros para aqueles que assistirem o filme.

Enfim, o cenário todo está muito bem montado, o que faz com que os conflitos entre os heróis, sejam os físicos ou os filosóficos, funcionem muito bem. Além disso, temos a introdução de novos personagens como o Pantera Negra que é, certamente, um dos destaques do filme. Em meio a todas essas coisas acontecendo, os irmão Russo ainda conseguem apresentar o herói e estabelecer tudo que ele precisa para acompanharmos a sua própria história em um filme solo. Está tudo pronto. Sua participação não é gratuita e ele tem atuação relevante na trama. O outro personagem é o Homem-Aranha. Esse sim, apesar de muito divertido, não coopera muito com o plot principal e está ali mais como um “fan service”. Ainda assim, não é completamente desnecessário. Em poucas linhas de diálogos o personagem consegue ser introduzido no universo Marvel com personalidade e motivação. Além disso, ver o teioso lutando na memorável cena do aeroporto é de fazer levantar da cadeira no cinema.

Capitão América – Guerra Civil” não é um filme perfeito. Na minha opinião, ele tem o mesmo problema que a maioria dos filmes da Marvel: o vilão. Tudo bem que aqui ele não enfraquece tanto a obra como em outros filmes como “O Homem-Formiga“, mas ainda assim é um ponto fraco. A motivação dele é simples e aceitável, mas não fica claro como ele tem a capacidade para fazer as coisas que faz no decorrer da história. Eu tive que ver duas vezes para entender nuances de características dele que o capacitariam para conseguir determinadas informações ou construir determinados objetos. O plano de Zemo (que não é o barão) é mirabolante e um pouco confuso, sendo necessário uma certa suspensão de descrença para compra-lo. Apesar das semelhanças nessa questão, não é tão problemático quanto o  plano do Lex Luthor em “Batman vs Superman“. Diferente do filme da DC, onde faltam informações, aqui elas existem, só estão um pouco escondidas em uma frase de diálogo aqui e outra ali. Ainda assim é um ponto fraco para mim. Aliás, essa comparação com o filme da DC não para por aí. Um determinado recurso de plot que é usado em “Batman vs Superman” também é utilizado aqui. Porém, enquanto no filme da DC esse recurso se torna anti-climático, aqui é exatamente o contrário. Ele catapulta o clímax do filme para uma grande batalha no seu ato final.

Esse é o 13º filme do Universo Cinematográfico da Marvel e sem dúvida está entre os melhores. É difícil criar um ranking aqui, mas eu o colocaria entre os 3 ou 4 primeiros. Enfim, por mais filmes como esse, por mais heróis na tela, pelo filme solo do Homem-Aranha e pelo filme solo do Pantera Negra, eu voto SIM para o universo Marvel nos cinemas. E que venha o Doutor Estranho.

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Autor

Bruno Guedão

Bruno Guedão

é time Capitão América