Jogada de Mestre (2014)

Jogada de Mestre (2014)

A história é verídica e o enredo é realmente cinematográfico: o sequestro do dono da cervejaria Heineken, em 1983, em Amsterdã. O diretor é o sueco Daniel Alfredson, o mesmo de “A rainha do castelo de ar” e “A menina que brincava com fogo”, as sequências 2 e 3 da ótima trilogia Millennium (2009). No elenco, Anthony Hopkins no papel de Freddy Heineken. Junta-se tudo isso e a expectativa é de um grande filme. Não chega a tanto, mas também não decepciona.

O diretor segue a história de cinco amigos empreendedores que tentam um empréstimo para seguir adiante com um projeto de negócio. Com a recusa, eles decidem assaltar um banco para viabilizar a ideia do sequestro do empresário que, à época, teve grande repercussão na Europa. Os cinco jovens não são bandidos profissionais e, portanto, o amadorismo por trás do plano dá à ação um ar de “amigos de infância que se reúnem para tomar dinheiro de milionário em um plano brilhante e nunca mais trabalhar pra ninguém”…

O filme, uma coprodução entre Inglaterra, Holanda e Bélgica, dá grande destaque na preparação do crime em si e em todo o planejamento do sequestro. Como a história é antiga e de domínio público, o espectador talvez já saiba de antemão o que vai acontecer. Ainda assim, no entanto, o assalto ao banco com perseguição policial pelas lindas ruas de Amsterdã e a indefinição pelo desfecho do caso criam um bom clima de suspense e prendem o espectador.

O elenco, além de Anthony Hopkins, conta com Jim Sturgess e Sam Worthington e talvez esteja justamente aí o ponto fraco do filme, que não aposta muito na interpretação dos atores. O próprio  Anthony Hopkins é muito pouco aproveitado e os demais bandidos não têm tempo de desenvolver seus personagens com profundidade. O filme é curto (95 minutos) e o diretor poderia alongar um pouco mais a trama ao tratar das tensões entre os amigos, antes, durante (principalmente) e depois do sequestro. Em filmes do gênero, o principal, normalmente, se concentra aí. No fim, fica uma mensagem já meio batida – transmitida pelo próprio Heineken durante a projeção – acerca de dinheiro e amizade. Algo do tipo: “Você pode ser rico e ter muitos amigos, mas não pode ter as duas coisas ao mesmo tempo”.

Mesmo previsível e sem grandes brilhos, o filme vale a pena porque conta uma história pouco conhecida do grande público no Brasil. E um sequestro, convenhamos, é sempre um bom mote para um filme de ação e suspense.

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Autor

Philipe Deschamps

Philipe Deschamps

é jornalista, comentarista de esportes e cinema, e tem uma coluna de cinema no programa Arte Clube da Rádio MEC-RJ.