Sherlock: A noiva Abominável (2016)

Sherlock: A noiva Abominável (2016)

Como é bom poder voltar a assistir o Benedito “Strange” e Martin “Bilbo” voltarem a seus papéis de tanto sucesso, e talvez mais brilhantes. Ainda estou triste por ter que esperar até 2017 para ver a quarta temporada, mas este episódio, com a 1 hora e meia padrão de duração, é sem dúvida um bom aperitivo.

É uma grata surpresa ver um design de figurino tão bonito e fiel, além das personalidades extremamente caricatas dos personagens, focadas na época em que se passa o episódio. O foco na Londres victoriana, onde as mulheres ainda buscavam seu espaço e respeito, é um bom background e vemos isso muito explícito nas atitudes de Watson e na legista Molly vestida de homem para poder trabalhar. Outra característica muito legal abordada é a paranóia do brilhante doutor com relação as minorias, ou sociedades secretas, sendo claramente notado e declarado como conspiracionista alienado, por Sherlock.

A escolha dos casos na série geralmente tem uma ligação com o season finale, porém como se trata de um episódio único mid-season ela se torna muito curiosa. Eles jogam o caso da noiva sem pretensão através do inútil inspetor Lestrad e vão desviando o foco nas elocubrações do Sherlock. Admito que fica um pouco confuso no começo e até meio arrastado. Tudo leva a crer que temos um belo episódio de suspense, quase terror, recheado do humor inglês e pastelão que estamos acostumados com essa dupla, mas no final temos uma salada de idas e vindas entre o tempo real e o passado que torna tudo mais confuso ainda. Realmente o Moffat tem alguma dificuldade em finalizar seus argumentos.

Todo o elenco está de volta e com caracterizações impecáveis. Destaque para um Mark Gatiss incrivelmente obeso com seus embates filosóficos e provocadores muito mais agressivos. Outro aspecto que chama a atenção e agrada, são os recursos visuais para tentar ambientar o que foi repaginado na série para a Londres antiga, como os pensamentos lógicos de Sherlock.

Sobre o roteiro, em si, sinto dizer que Moffat está, como sempre, megalomaníaco e com dificuldade em ligar os pontos sem deixar furos, como de costume. Pelo menos ele consegue fechar ironizando o arco da morte de sherlock e sua “ressureição”. O que aparenta ser apenas um episódio homenagem so mostra uma exagerada conexão com a tão esperada quarta temporada. #OuNao

O final é inesperado e surpreendente. As sufragistas. Seria um episódio para tentar explicar e restaurar a relação de Sherlock com Moriarty?! Aprofundar a relação, quase espiritual, com Watson Ou explorar ainda mais a tensão entre os irmãos, sem esquecer o carinho enrrustido deles? Difícil dizer.

A verdade é que o final parece um episódio de Scooby-Doo. É enloquecedor e até um pouco decepcionante, devo dizer. O que salva são as sempre consistentes atuações de Benedict e Martin.

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Burita

Burita

ainda acha essa a melhor encarnação do notável detetive!